Sobre a psicologia criminal

curso-psicologia-criminalO contexto histórico da psicologia traz agregado ao seu próprio conceito, raízes surgidas, principalmente, a partir da era do Renascimento (século XVI), quando o antropocentrismo evidencia-se ao pensamento humano, proporcionando significativa evolução nas perspectivas sociais e econômicas.

Segundo DE SANTI (1998), é nítida a mudança na concepção do lugar do homem no mundo a partir do humanismo renascentista: “(…) Ele deve se construir enquanto humano. Se o homem não nasce com seu destino predestinado, ele se deve formar, educar. Nasce a necessidade do cuidado de si”.

Dessa maneira, para que se entenda a psicologia, é necessário, antes, entender o homem enquanto filosofia; formas de conhecimento; de comunicação; e a subjetividade do ser. Ainda hoje trazemos tantas heranças iluministas quanto românticas, por exemplo, que nem atentamo-nos à origem de alguns hábitos ou tradições aos quais acabamos, passivos ou dispersos, por nos entregar em nossa realidade contemporânea.

Quando ampliamos nossa visão minimalista, portanto, percebemos que, historicamente, seria inevitável o momento em que a psicologia se apresentasse como ciência, fosse pura ou aplicada. E consequentemente, chega também o período em que o funcionalismo propõe nova perspectiva à psicologia, em afronta ao estruturalismo inicial, quando se discutia a empregabilidade do conhecimento à prática real e não ao confinamento teórico e laboratorial do conhecimento. A vida cotidiana poderia ser tratada como laboratório também, se seguisse rigorosos procedimentos científicos, como defendia o funcionalismo: “É o método e não o objeto de estudo que determina a validade científica de qualquer campo de investigação” (SCHULTZ & SCHULTZ, 2014).

Aliada à concepção da psicologia, está também a sua própria pluralidade. As formas de se entender psicologia, de se discutir, de se estudar, de se praticar. Podemos concluir, assim, que temos, portanto, uma ciência em um grau de dinamismo próprio, quando a estanqueidade de seus princípios e desenvolvimento, revela apenas as falácias que habitam na insuficiência e superficialidade do senso comum.

A psicologia criminal está inserida no contexto da psicologia jurídica e tem uma história recente, especialmente no Brasil. Objetiva o estudo do comportamento criminoso, estabelecendo fortes laços de parceria com o exercício do direito. Vale ressaltar que não apenas o protagonismo daquele que comete o ato é estudado aqui, mas também a vítima pode ser colocada em pauta, por exemplo, quando, ao estudo da vitimologia, faz-se a análise do perfil da mesma, a compreensão de suas reações diante da infração penal a fim de averiguar se o crime em si foi ou não estimulado por atitudes da própria vítima, o que denominaria uma cumplicidade passiva ou ativa para com o criminoso (BREGA FILHO, 2004).

Assim, que notemos ainda que, mesmo voltados a uma vertente específica diante dos diversos campos de atuação da psicologia, aquela mesma pluralidade se faz – igualmente – presente. Cabe a nós a insaciável busca pelo saber, enquanto aprendizado e ensinamento, afinal, esta é a essência do dinamismo: o movimento, o caminhar, a partida do que se apresenta estático e atribui-se a ação.

Estudar psicologia criminal é desnudar o homem à sua versão mais sincera, ainda que perversa. Entender e compreender. Exercer a capacidade de pensar como igual, livre de julgamentos (inclusive moral e de valores), pois a este papel, cabe o atuar da justiça penal.

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