Web-documentário ASSASSINATOS EM VERDE E AMARELO: crimes em série que abalaram o Brasil

Senhoras e senhores, programem suas máquinas do tempo! Vamos para uma viagem a São Paulo da década de 1920. Conheçam José Augusto do Amaral, ou simplesmente, Preto do Amaral.

É, finalmente, chegada a novidade! Para não enferrujar enquanto os planos a longo prazo não se concretizam, lanço o Web-documentário ASSASSINATOS EM VERDE E AMARELO: CRIMES EM SÉRIE QUE ABALARAM O BRASIL. Serão 10 episódios com a história dos mais cruéis assassinos seriais do nosso país.

VEJA O PRIMEIRO EPISÓDIO!

Lançamento do Livro O Beijo da Morte: História de um Sequestro

O jornalista VINÍCIUS JULIANO lança o livro O BEIJO DA MORTE: HISTÓRIA DE UM SEQUESTRO em 11 de novembro de 2017 (sábado) a partir das 16 horas na Livraria Leitura do Campinas Shopping. O evento contará com um bate papo com o autor e sessão de autógrafos.

propagandas divulgacao o beijo da morteA obra é o retrato real do sequestro de Tânia, uma empresária de 32 anos, pela quadrilha de um dos sequestradores mais procurados do estado de São Paulo na primeira década dos anos 2000, o qual protagonizou, também, casos envolvendo mães de famosos jogadores de futebol.

Na obra o autor remonta passo a passo do crime sob as perspectivas narrativas da vítima e da família, pontuando o antes, o durante e o depois.

O título está disponível em pré-venda através da Livraria Leitura do Campinas Shopping e deve chegar às prateleiras na segunda quinzena de outubro.

Vítima: protagonista ou coadjuvante de um crime?

EMotivational_Speaker_Killed-0693am 2009, Nova Iorque foi palco de um crime que ainda hoje repercute nos bastidores da justiça norte americana. Jeffrey Locker, de 52 anos, um bem sucedido escritor de auto ajuda e palestrante motivacional, pai de três filhos, foi encontrado morto: amarrado com as mãos às costas e esfaqueado dentro de seu próprio carro.

Do outro lado da balança da justiça, encontra-se o nome de Kenneth Minor. Aos 38 anos, um morador de rua e usuário de drogas quem foi, em 2011, sentenciado a 20 anos de prisão por assassinato em segundo grau (second degree muder), o equivalente a homicídio doloso no Brasil, ou seja, quando há a intenção de cometer-se o crime.

Entretanto, dois anos depois da sentença inicial a Minor, uma reviravolta no caso levou à sua reabertura ao trata-lo, agora, como suicídio assistido, o que reduziria, assim, a pena do condenado a 12 anos de prisão.

A vítima, Locker, estava enfrentando um processo de falência após levar um golpe financeiro e acumular uma dívida de cerca de US$ 120 mil. Um relevante fato a favor da defesa de Minor, foram as evidências de que Locker havia feito diversos seguros de vida que, juntos, somavam mais de US$ 14 milhões (quantia que, ainda hoje, permanece retida por ordem da justiça norte americana até se conclua a investigação) e mudar seus beneficiários pouco tempo antes de sua morte, além de provas de que o mesmo havia feito pesquisas sobre funerais no mesmo período.alg-kenneth-minor-jpg

Minor alega desde o princípio que, na mesma condição de pai e em situação financeira bastante prejudicada, se compadeceu do desespero de Locker e aceitou sua proposta – para a qual seria pago – de auxiliá-lo em seu próprio suicídio, desde que parecesse homicídio e, assim, sua família pudesse desfrutar dos benefícios dos seus seguros de vida. O condenado confessa que foi ele quem amarrou as mãos de Locker para trás, porém não se assume responsável por desferir as diversas facadas contra seu abdômen: ele descreve que segurava a faca apoiada ao volante do veículo da vítima, enquanto o próprio Locker jogava seu corpo ao encontro da lâmina até não resistir mais aos ferimentos.

O fato reacendeu questões sobre suicídio (principalmente, assistido), mas, mais do que isso, sobre o verdadeiro papel da vítima enquanto parte de um crime. Daí, a necessidade do estudo da vitimologia durante uma investigação criminal.

A importância real da vítima só foi dada (ou notada) a nível mundial, após a Segunda Grande Guerra (1939-1945) com a publicação de estudos sobre o tema que visavam vítimas de guerra e dos massacres ocorridos em um passado recente. Eduardo Mayr conceitua vitimologia como “o estudo da vítima no que se refere à sua personalidade, quer do ponto de vista biológico, psicológico e social, quer o de sua proteção social e jurídica, bem como dos meios de vitimização, sua inter-relação com o vitimizador e aspectos interdisciplinares e comparativos”.

No passado acreditava-se a vítima sempre inocente e o causador do delito, sempre o único e exclusivo culpado pelo ato. Porém, Benjamin Mendelsohn, professor e advogado de Jerusalém (considerado por muitos o “pai” da vitimologia moderna), propõe a seguinte classificação às vítimas frente a uma situação de crime:

  • Vítima completamente inocente ou vítima ideal: não tem qualquer participação no evento criminoso, como, por exemplo, em casos de terrorismo e vítimas de balas perdidas;
  • Vítima menos culpada do que o delinquente ou vítima por ignorância: aquela que contribui, de alguma maneira, para o resultado criminoso. Pode-se citar, neste contexto, pessoas que frequentam locais reconhecidamente perigosos expondo objetos de valor;
  • Vítima tão culpada quanto o delinquente: a participação ativa da vítima é essencial para a concretização do crime, como em casos de torpeza bilateral;
  • Vítima mais culpada que o delinquente ou vítima provocadora: exemplos podem ser dados a partir de casos de lesões corporais e até homicídios cometidos após injusta provocação da vítima;
  • Vítima como única culpada: são os casos de suicídio, roletas-russas, pessoas que fazem uso de medicações sem atender a prescrição médica ou da bula, entre outros.

Muitas outras classificações são propostas por diversos outros estudiosos, mas a essência comum entre eles é reconhecer aquele quem sofreu danos por um ato criminoso como parte importante do evento ocorrido. A inocência pode não estar descrita no ponto final do triste desfecho do crime. A grande questão, finalmente, é atribuir a este qual dos papeis disponíveis: de protagonista ou coadjuvante do crime?

Sobre a psicologia criminal

curso-psicologia-criminalO contexto histórico da psicologia traz agregado ao seu próprio conceito, raízes surgidas, principalmente, a partir da era do Renascimento (século XVI), quando o antropocentrismo evidencia-se ao pensamento humano, proporcionando significativa evolução nas perspectivas sociais e econômicas.

Segundo DE SANTI (1998), é nítida a mudança na concepção do lugar do homem no mundo a partir do humanismo renascentista: “(…) Ele deve se construir enquanto humano. Se o homem não nasce com seu destino predestinado, ele se deve formar, educar. Nasce a necessidade do cuidado de si”.

Dessa maneira, para que se entenda a psicologia, é necessário, antes, entender o homem enquanto filosofia; formas de conhecimento; de comunicação; e a subjetividade do ser. Ainda hoje trazemos tantas heranças iluministas quanto românticas, por exemplo, que nem atentamo-nos à origem de alguns hábitos ou tradições aos quais acabamos, passivos ou dispersos, por nos entregar em nossa realidade contemporânea.

Quando ampliamos nossa visão minimalista, portanto, percebemos que, historicamente, seria inevitável o momento em que a psicologia se apresentasse como ciência, fosse pura ou aplicada. E consequentemente, chega também o período em que o funcionalismo propõe nova perspectiva à psicologia, em afronta ao estruturalismo inicial, quando se discutia a empregabilidade do conhecimento à prática real e não ao confinamento teórico e laboratorial do conhecimento. A vida cotidiana poderia ser tratada como laboratório também, se seguisse rigorosos procedimentos científicos, como defendia o funcionalismo: “É o método e não o objeto de estudo que determina a validade científica de qualquer campo de investigação” (SCHULTZ & SCHULTZ, 2014).

Aliada à concepção da psicologia, está também a sua própria pluralidade. As formas de se entender psicologia, de se discutir, de se estudar, de se praticar. Podemos concluir, assim, que temos, portanto, uma ciência em um grau de dinamismo próprio, quando a estanqueidade de seus princípios e desenvolvimento, revela apenas as falácias que habitam na insuficiência e superficialidade do senso comum.

A psicologia criminal está inserida no contexto da psicologia jurídica e tem uma história recente, especialmente no Brasil. Objetiva o estudo do comportamento criminoso, estabelecendo fortes laços de parceria com o exercício do direito. Vale ressaltar que não apenas o protagonismo daquele que comete o ato é estudado aqui, mas também a vítima pode ser colocada em pauta, por exemplo, quando, ao estudo da vitimologia, faz-se a análise do perfil da mesma, a compreensão de suas reações diante da infração penal a fim de averiguar se o crime em si foi ou não estimulado por atitudes da própria vítima, o que denominaria uma cumplicidade passiva ou ativa para com o criminoso (BREGA FILHO, 2004).

Assim, que notemos ainda que, mesmo voltados a uma vertente específica diante dos diversos campos de atuação da psicologia, aquela mesma pluralidade se faz – igualmente – presente. Cabe a nós a insaciável busca pelo saber, enquanto aprendizado e ensinamento, afinal, esta é a essência do dinamismo: o movimento, o caminhar, a partida do que se apresenta estático e atribui-se a ação.

Estudar psicologia criminal é desnudar o homem à sua versão mais sincera, ainda que perversa. Entender e compreender. Exercer a capacidade de pensar como igual, livre de julgamentos (inclusive moral e de valores), pois a este papel, cabe o atuar da justiça penal.